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“De repente ouviu passos. Alguém se aproximava. Jasar, contrariado por ver seu sossego perturbado, ia levantar-se, quando, aliviado, deparou com Solimar.
Esta, ao vê-lo, embaraçou-se:
_ Desculpai se vim perturbar-vos, mas eu me retiro.
_ De modo algum, não consinto. Eu é que usurpei-te o lugar de repouso, vindo gozar aqui a quietude da noite. Já que vieste, fica. Não desejo perturbar teu recanto preferido, mas seria um prazer podermos conversar um pouco. Senta-se aqui ao meu lado.
Jasar falava-lhe não como a uma escrava, mas como a uma igual. Para ele, Solimar era um elevado espírito e sua condição de escrava não o tolhia.
Um pouco ruborizada, ela sentou-se na relva ao lado dele. Nunca estivera tão próxima a ele. Isso perturbava-a agradavelmente.
Jasar representava para ela muito mais do que a bondade ou a compreensão. Sentia por ele uma ternura infinita que não procurava sufocar, embora soubesse ser um amor impossível às leis humanas.
Jasar, sentindo a proximidade da moça, também exultava interiormente, desejando prolongar ao máximo aquele momento.
Conversavam sobre diferentes assuntos, porém sem refletir no que diziam, pois seus pensamentos estavam concentrados naquela irresistível atração.
Jasar olhava o meio rosto de Solimar e havia todo o ardor de uma ternura profunda em seus olhos.
A moça, sentindo o peso daquele olhar, olhos baixos, levemente ruborizada, procurava controlar as batidas do coração terrivelmente aceleradas.
_ Solimar, olha para mim. Quero ver teus olhos.
Ela vagarosamente alçou a cabeça, e ele viu na luminosidade daqueles olhos radiosos aquilo que seu coração pedia.
Esquecidos de tudo o mais, viviam aqueles minutos infinitamente felizes, longe de tudo e de todos. Depois, Jasar, num impulso mais forte do que sua vontade, apertou-a efusivamente em seus braços, cobrindo-lhe de beijos os cabelos revoltos.
Ela, feliz, deixou- se ficar assim, sem falar, com receio de quebrar o encanto do momento.
_ Solimar! Eu te amo! Desde o primeiro instante em que te vi, fiquei preso à tua cativante personalidade e quanto mais te conhecia mais e mais te amava. Consintas em ser minha esposa, só contigo serei feliz!
Solimar, com a voz embargada de emoção, à custa respondeu:
_ Mesmo que a vida venha destruir-me após este instante, ainda que eu sofra mil vezes futuramente, tudo será compensado pela felicidade deste momento!”

* O amor venceu – ditado por Lucius – Zibia Gasparetto *

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