Todo dezembro era assim, eu aguardava o ano todo pra chegar dezembro!

Quando percebia que estava próximo, meu coração se enchia de alegria – eu era pequena, mas sabia que teria uma visita especial. Sabia que era em dezembro! Todos os anos era assim, eu o aguardava e em dezembro ele sempre vinha.

Mas nos últimos dezembros ele não veio… eu esperei, esperei e ele não veio. Nunca mais ele voltou!

Agora, mal consigo lembrar do seu rosto, porque quando eu fechava os olhos, eu podia e conseguia imaginar. Mas agora, com o tempo… não sei, minha memória não consegue mais imaginar com a perfeição que eu via antes. Aquele olhar carinhoso, pacato…

Não me lembro mais do tom da sua voz. Fugiu-me completamente a sonoridade da sua voz… que saudades de quando comigo ele falava. Quão doces e sensíveis eram suas palavras… hoje não posso mais ouví-las, mas ele sempre dizia pausadamente, calmamente. E engraçado, ele sempre fazia questão de que olhassemos para ele enquanto as pronunciava.

E o seu cheiro, sim ele cheirava aquele perfume “alma de rosas”… e como ele era cheiroso.

Depois que ele se foi os dezembros não são os mesmos… sempre falta alguma coisa. Sempre falta a presença dele porque em dezembro ele sempre vinha. E todos os natais e todos os dezembros eram bons porque ele estava lá conosco.

E quando chega dezembro, a presença do meu avô é tudo que eu mais desejo. Meus dezembros, eles nunca foram iguais desde que ele se foi.

avo

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