Já passa das onze e meia da noite. Cheguei em casa há pouco, depois de um dia cheio.

Quando abri a porta e olhei para baixo vi um envelope, pensei “contas, propagandas, céus eles não se cansam!!!”. A luz estava apagada não conseguia identificar o envelope. Acendi a luz. Era uma carta. Uma carta pra mim!

No final da carta havia um PS: “Um email com certeza chegaria mais rápido, mas nós sabemos que não seria tão charmoso”

A carta era da minha irmã… o conteúdo não vou revelá-lo. Mas eu fiquei tão feliz em receber essa carta, adoro receber cartas. Adoro receber emails, recados no orkut, comentários aqui no blog. Adorooo!

Mas a carta guarda consigo grandes significados. Podemos tocá-la, cheirá-la, guardá-la… foi escrita a próprio punho. Concordo com a minha irmã, as cartas são charmosas… por que elas guardam, resgatam, nos fazem voltar ou parar no tempo. As palavras nelas contidas preservam um sentimento, um desejo. A grafia de quem a escreveu é única, pertence aquela pessoa, mesmo que com o tempo ela também se modifique.

Minha sister, minha frô… eu amooo vc do jeito que você é! O fato de sermos diferentes não muda em nada o que vc significa para mim. Obrigada pela carta, obrigada por vc existir! Sinta-se abraçada agora pela tata, ok! 🙂

Pintura: Girl reading a letter at an open window –  Vermeer (1657)

Encontrei uma entrevista de Rubem Alves e gostei muito dessa resposta em especial, fala a respeito das cartas, nesse caso em particular, as cartas de amor:

” Luíza de Andrade – O que o senhor acha das cartas de amor?

Rubem Alves – Acho comovente. Tem uma tela do pintor Vermeer que é uma mulher lendo uma carta. É um quadro que tenho no meu quarto. A carta só tem sentido quando os dois estão separados. A carta é um sinal de solidão. A gente escreve não para dar informação. As informações não têm a menor importância, porque elas não fazem parte da essência da carta de amor. O que faz uma carta de amor é o fato de que um tocou aquela folha e o outro vai tocar a mesma folha de papel. Assim, você toca a carta, mas o outro não está lá. É por isso que a carta de amor tem essa beleza triste.”

Sugiro a leitura da entrevista também!

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