Limitadas, diziam as vozes. Inundando as escolas. Um empecilho para os recursos e para as crianças mais inteligentes.

Caroline sentiu uma onda de desespero. Eles nunca veriam Phoebe de verdade, aqueles homens nunca a veriam como mais do que uma criança diferente, lenta para falar e para dominar coisas novas. Como poderia mostrar-lhes sua filha linda, Phoebe, sentada no tapete da sala de estar construindo uma torre de cubos, com o cabelo macio caindo sobre as orelhas e uma expressão de absoluta concentração no rosto? Phoebe, pondo o disco de 45 rotações na vitrolinha que Caroline havia comprado para ela, extasiada com a música, dançando pelos pisos lisos de carvalho. Ou a mãozinha macia de Phoebe apoiando-se de repente no joelho da mãe, num momento em que Carolina ficara pensativa ou distraída, absorta no mundo e em suas preocupações. Está tudo bem mamãe?, dizia, ou simplismente, Eu amo você. Phoebe, montada nos ombros de Al à luz do entardecer, Phoebe abraçando todas as pessoas que encontrava. Phoebe tendo acessos de raiva, obstinadamente desafiadora. Phoebe vestindo-se naquela manhã, toda orgulhosa. {…}

{…} _Não se trata de números – disse Caroline -, e sim de crianças. Tenho uma filha de seis anos. Ela leva mais tempo para dominar coisas novas, é verdade. Mas aprendeu a fazer tudo o que qualquer outra criança aprende: a engatinhar e andar, falar e usar o banheiro, a se vestir, como fez hoje de manhã. O que eu vejo é uma menininha que quer aprender e que gosta de todas as pessoas que vê. E vejo uma sala cheia de homens que parecem ter esquecido de que, neste país, prometemos educação a todas as crianças, independentemente de sua capacidade. {…}”

* Kim Edwards In: O guardião de memórias *

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