Ontem foi um dia frio, nublado…

Terminei de ler o livro “O fio da navalha” de W. Somerset Maugham.

Como acontece às vezes, ficou um vazio! 😦

A leitura acabou, mas queria que história continuasse… Como deixar que esses personagens que passaram a fazer parte dos meus últimos dias fiquem parados numa estante de novo, vou ter que devolver o livro na biblioteca. Espero que outros se deliciem! Mas serei obrigada a comprar esse livro, quero me lembrar deles sempre, principalmente de Larry. (É bom encontrar um bom motivo para comprar um livro…rs)

Quero às vezes poder reler algum trecho! Essa semana li em algum lugar, não me lembro onde, “eu não leio livros, converso com eles”. Quero poder conversar com esse livro de novo!

É uma bela história! Larry, um rapaz americano vê sua vida completamente mudada após participar da primeira guerra mundial, momento que presencia a morte de um amigo, que morre para salvá-lo. Desde então, Larry passa a buscar um novo sentido para sua vida.

Sendo um rapaz de posses, Larry se vê muitas vezes obrigado a agir conforme os padrões que a sociedade lhe impunha. Sujeito meigo, calado, misterioso, sábio deixa Chicago e volta para Paris onde inicia sua busca. Passa a viver com o mínimo necessário, passa horas e horas nas bibliotecas lendo… realiza trabalhos forçados em lugares inusitados, anda sem rumo, trabalha somente para poder se alimentar ou simplesmente não trabalha para poder estudar, aprender… Vive com uma renda mínima. Viaja pelos quatro cantos do mundo, convive com pessoas – as mais diferentes, aprende várias línguas, conhece vários lugares, aparece e desaparece como um relâmpago na vida dos conhecidos… e chega na Índia, onde encontra o que procurava.

Larry buscava a comunhão com Deus, com o universo, com a natureza e consigo mesmo. Larry encontra a felicidade!

Alguns trechos:

” _ Aquela noite não dormi. Chorei. Não estava com medo, e sim indignado; o que mais me abateu foi a maldade de tudo aquilo. A guerra acabou e voltei para casa. Sempre gostara de mecânica e se não houvesse lugar para mim na aviação, pretendia ir trabalhar numa fábrica de automóveis. Fora ferido e tinha que levar tudo na calma durante algum tempo. Depois eles quiseram que eu arranjasse emprego. Impossível aceitar o tipo de trabalho que me ofereciam. Parecia-me inútil. Eu vivera muito tempo para refletir; perguntava frequentemente a mim mesmo qual seria a finalidade da vida. Pensando bem, era por acaso que eu estava vivo; queria fazer alguma coisa da minha vida, mas não sabia o quê. Até então não pensava muito em Deus; agora ele começou a preocupar-me. Não podia compreender a razão da existência do mal no mundo. Sabia que eu era muito ignorante; queria aprender, mas não tinha a quem recorrer, de modo que comecei a ler ao acaso” Maugham In: O fio da navalha p.255

“Nada no mundo é permanente, e somos tolos em desejar que uma coisa se perdure, mas mais tolos ainda seríamos se não a aprecíassemos enquanto a temos” Maugham In: O fio da navalha p.281

“Não era minha vocação abandonar o mundo e retirar-me ao claustro, e sim viver no mundo e amar as coisas do mundo, não por causa delas, e sim por causa do Infinito que está nelas. Maugham In: O fio da navalha p.281

” _ Shri Ganesha costumava dizer que o silêncio também é conversa – murmurou.” Maugham In: O fio da navalha p.298

Muitooo bom o livro!

Larry representa para mim o desprendimento dos recursos materiais e financeiros, a liberdade, a busca por algo maior que ultrapassa o entendimento humano, a busca espiritual.

Quando era questionado a que rumo daria para sua vida ele dizia que queria “vadiar”. Para ele vadiar, significava se conhecer e conhecer a realidade ao seu redor.

Quem nunca teve ou tem vontade de largar tudo para seguir um rumo diferente na vida?

Vontade não falta, mas falta o que ele teve inicialmente, alguém que financiasse!!! Rs Pena que na vida real isso não seja tão simples assim! ^ ^

Sandra

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